A oração de Jesus no Getsêmani

  "E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice...

 


"E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." Mateus 26:39
Jesus faz esta mesma oração por três vezes no jardim do Getsêmani (para mais detalhes sobre o jardim do Getsêmani veja última foto). Mas qual o seu real sentido? Jesus pensou em desistir? Sua agonia era por um suposto abandono de Deus a sua pessoa? Sendo Deus homem, a sua carne fraquejou? Estava ele sob pressão tamanha para morrer por mim e por você a ponto de pedir a Deus que lhe retirasse a cruz?

Alguns afirmam que a expressão "aparta-me de mim este cálice" se refere a um possível abandono de Deus para com Jesus Cristo. Eles usam o versículo de Mateus 27.46 que diz:
Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Essa fala de Cristo é uma alusão a passagem de Salmos 22 onde retrata a dor, sofrimento e um "suposto momento" de abandono por parte de Deus para com o salmista.

Os defensores desse ensino alegam que Cristo precisava suportar o sofrimento como homem e sozinho, e que na crucificação como ele estava carregando todos os pecados da humanidade na cruz, Deus o abandonou, o desamparando por causa da multidão de nossos pecados. Alguns até afirmam que Deus ficou triste no momento da crucificação, e até que a ira de Deus caiu sobre Jesus de tal maneira por causa de nossos pecados, para chegar ao ponto de desampará-lo.

As dificuldades desse ensino surgem da seguinte maneira.

1. O Salmos 22 é profético e faz alusão aos sofrimentos do Messias. Até o verso 21 o salmista declara um estado de suposto abandono, tristeza, angustia e zombaria por parte de seus inimigos. Expressões como os cães me cercaram, rasgaram as minhas vestes, e o pó da morte, são usadas para manifestar como seriam os sofrimentos de Cristo profeticamente, mas o texto sofre uma mudança a partir do verso 22 onde o salmista é respondido por Deus e chega a dizer:
"Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes quando ele clamou, o ouviu." Salmos 22.24
Fica evidente que o salmista considerou no início, devido ao seu grande sofrimento, angustia e perseguição por parte de seus inimigos, que Deus o havia abandonado, mas logo após, Deus o responde e ele mais uma vez louva a Deus por seu socorro. Se Jesus com sua fala, está fazendo alusão as palavras do salmista, então ele não está dizendo que foi desamparado ou abandonado por Deus, porque o salmista não o foi.

É evidente que Jesus está fazendo alusão ao sofrimento, agonia e angustia que estava sofrendo naquele exato momento. Ele foi abandonado por seus discípulos e o mundo, mas não seria abandonado por Deus.

2. Alguns podem alegar que o restante do Salmo não se encaixa em Cristo e somente a parte aflitiva se refere a ele. Para isso, deve ser mostrado que o restante dos versículos tem ligação com os textos anteriores, pois no verso 24 ele ainda está falando do "aflito". Separar uma parte do Salmos e anular a outra do seu contexto é excluir uma peça importante para uma interpretação sadia. 

Em suma, todo o Salmos 22 é referente ao Messias. Cada detalhe foi cumprido é evidente que não, pois existem características pessoais, referentes ao salmista somente, mas na visão geral dessa passagem é evidente que não são apenas os textos que tratam de sofrimento que se referem a Cristo.

3. Outros alegam que somente a fala de Cristo na cruz: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste" pode ser interpretada como profecia para o Messias. Se for assim os textos que dizem que ele foi zombado (v.7), teria sede (v.15) e a sua túnica rasgada (v.18) não se aplicaria a Cristo, quando sabemos que essas profecias se cumpriram em sua pessoa. Cumprindo assim, não apenas a frase mencionada por Cristo, mas também outras partes de Salmos 22.

4. Que Deus tenha se irado ou entristecido ao ver Cristo na cruz não é coerente com uma interpretação sabia da bíblia. Deus tinha grandes motivos para se alegrar ao entregar seu filho na cruz. Não houve nenhuma separação na crucificação de Cristo, pelo contrário, houve a maior união que o mundo presenciara, a dos pecadores com Deus, pelo sacrifício de Cristo.
"Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação." (2 Coríntios 5.19) 
"Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão." (Isaías 53.10)
Outra vez,

Dizem que o livro do Apocalipse se refere ao cálice do Senhor estar cheio de ira (Apocalipse 14.10; 16.19) e que o cálice de Cristo era o mesmo cálice e continha a ira de Deus que cairia sobre ele.

Respondo que,

a) Nem sempre o cálice é representado contendo ira, as vezes ele é apresentado como salvação (Salmos 116.13), representando a nova aliança (1 Coríntios 11.25), contendo abominações e imundícies (Apocalipse 17.4).

b) Se no cálice de Cristo continha a ira de Deus e ela caiu toda sobre Cristo, por que ainda haveria ira no cálice do Senhor no Apocalipse se Cristo bebeu todo o cálice na crucificação? Das duas uma, que Jesus não provou de todo o cálice e seu sacrifício não foi completo ou o cálice não continha a ira de Deus.

c) A menção de cálice apenas carrega o sentido de portar algo, podendo ser algo bom ou ruim. Que podemos concluir que não era a ira de Deus no cálice de Cristo, creio ter ficado evidente.

5. Os defensores do abandono da parte de Deus para com Cristo precisam responder que tipo de abandono e separação sucedeu na crucificação. Se afirmam ser física, não poderia ser, porque apenas Cristo era físico naquele momento e na verdade esperamos a morte física para estarmos com Deus, logo a morte física de Cristo não o separaria de Deus, mas faria o oposto. Se foi espiritual seria preciso afirmar que o Espírito de Deus tenha se retirado de Cristo, quando a bíblia apenas revela o Espírito de Deus repousando sobre ele e nele tendo prazer, e nunca, se retirando (Mateus 3.16). Se foi uma separação da Deidade isso é afirmar que Cristo naquele momento deixou de ser Deus e Divino, o que é absurdo, sendo Ele um Deus Eterno, Pai da Eternidade, o Alfa e o Ômega, Princípio e o Fim (Isaías 9.6; Apocalipse 1.8).

Apelar para uma suposta divisão ou abandono entre Jesus Cristo, Deus Pai e o Espírito Santo é forçar o texto bíblico e dividir aquele que é em Eternidade Um (João 10.30). Fazendo parte da trindade, Jesus não pode ser dividido e perder a sua unidade com Deus e o Espírito Santo.

Outra vez,

Alguns afirmam que Jesus se esvaziou da sua glória e que isso representa que ele não tinha sua Deidade em atividade e suportou a cruz apenas como homem, e que isso é coerente com o ensino que ele fora abandonado por Deus na cruz e isto explicaria sua agonia no Getsêmani, baseado nos seguintes versículos.
"Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz." (Filipenses 2.5.9)
"Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza, vos tornásseis ricos." (2Co 8.9)
"E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive juntos de ti, antes que houvesse mundo." (João 17.5)
a) Se a bíblia quer dizer que ao se esvaziar (gr.kenoo de kenosis) de sua glória, Jesus deixou sua Deidade e Divindade, então seque-se que ele não poderia ser o Deus eterno, pois sendo eterno, implica que sempre foi, é, e será Deus.

b) Mas um rei que sai de seu trono não deixa de ser rei e mesmo que tire sua coroa, ainda sim continua sendo rei legalmente. O que Cristo faz é se despir de sua glória e assumir a forma fraca de homem, mas isso não implica um suposto abandono de sua Deidade e nem de seus atributos divinos, pois sendo Deus, seus atributos são eternos como Ele o é. Jesus sempre foi e será onisciente, onipresente, onipotente, amor, justiça, santo e etc. Cristo se despiu de sua gloria celestial e viveu como homem e servo obedecendo até a morte e morte de cruz.

Isso fica mais evidente quando Cristo vai ser preso e ele diz:
"Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?" (Mateus 26.53)
Como Deus e Rei cheio de autoridade, bastaria um pedido seu e os céus se encheriam de anjos para lhe guardar, mas como homem, escolheu não usar desse poder e obedeceu até a morte de cruz. Isso exemplifica a renúncia de Cristo.

Mas o que explica a agonia de Cristo em sua oração no Getsêmani? 

Primeiro mostrarei o que a oração e agonia de Cristo no Getsêmani não significa.

1. Não significa nenhum temor quanto a uma suposta separação entre Jesus, Deus Pai e o Espírito Santo.

2. Não significa nenhuma fraqueza espiritual por parte de Cristo. Para isso é preciso afirmar que a tristeza tem ligação direta com a fraqueza no espírito e no corpo. O que sabemos não ser verdade, pois é possível estarmos fortes fisicamente e espiritualmente e ainda sermos afetados pela tristeza por causas exteriores.
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, o espírito, na verdade está pronto, mas a carne é fraca." (Mateus 26.41)
Outra vez, 

Isso não implica que Jesus se deixou levar pela fraqueza da carne. Ela ser fraca é uma coisa, deixar se vencer por ela é outra bem diferente, e é por isso que Jesus foi orar e aconselhou os discípulos a fazerem o mesmo. Logo sua angustia também não era fraqueza carnal.

3. Também não é nenhum medo da morte, ou da ira de Deus, ou do sofrimento físico. Jesus prediz a sua morte por quatro vezes. (Mateus 16.21-28; 17.22,23; 20.17-19; 26.1,2). Temos os mesmos relatos também em Marcos, Lucas e João. Todas essas vezes Jesus afirmou não só saber da sua morte, mas que passaria por ela e que com ela teria muito, mas muito sofrimento.
"Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará." Mateus 20:18,19
Outra vez quando ele dizia sobre a sua morte e Pedro começa a lhe repreender, ele foi repreensivo e duro com Pedro dizendo:
"Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens." Marcos 8:33
Outra vez ele disse aos discípulos para não terem medo daqueles que matam o corpo. Se isso foi um ensino de Cristo, certamente ele o tinha em pratica.
"E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo." (Mateus 10.28)
Se Cristo temeu a morte, descumpriu o próprio ensinamento que deu aos seus discípulos, de não temerem a morte.

Outra vez,

Alguns usam o texto de Hebreus 5.7, para dizer que o temor de Cristo era a morte, que diz:
"Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade."
Esse texto apenas se encaixa na oração do jardim do Getsêmani, pois foi quando Jesus ofereceu grande clamor, lágrimas e orações. O versículo diz que ele orou para aquele que "o podia livrar da morte", mas isso não diz que o temor de Cristo era a morte. E esse versículo também apoia o ensino que manifestamos aqui. Deus podia livrar Cristo da morte, mas não o fez, porque a morte de Cristo era o único meio de salvação e é isso que Cristo quis mostrar ao mundo em sua oração e de fato Deus o ouviu, pois Cristo pediu que fosse feita a vontade de Deus e a vontade de Deus era salvar a humanidade por meio de seu Filho.

O versículo finaliza dizendo que Jesus foi ouvido por causa de sua piedade, mas se ele temia a morte, como pôde ser ouvido, atendido, se Deus o deixou morrer na cruz? O escritor afirma que Deus o atendeu, o ouviu, e sobre o que o ouviu? Ora, fazendo a sua vontade! Entregando o seu filho para salvar o miserável homem pecador!

4. Não é nenhuma possibilidade de desistência por parte de Cristo. Deixar a cruz não era algo cogitável para Jesus. Sua principal tarefa era morrer em nosso lugar e ele assumiu isso inúmeras vezes. Todos os seus feitos não valeriam de nada sem a cruz. A maior demonstração de amor e entrega não existiria sem a cruz.

De fato, não podemos crer em um Jesus que quis desistir de sua missão e do homem pecador. Que por um instante, deixou de nos amar e preferiu se livrar da cruz e do sofrimento e assim sobre nós cairia o sofrimento eterno.
"Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?" (João 18.11)
O verdadeiro sentido da agonia e oração.

1. A afirmação de Cristo aos discípulos que se procede no final da oração revela o porquê de sua dor:
"Então, chegou junto de seus discípulos e disse-lhes: Dormi, agora e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores." (Mateus 26.45)
É essa entrega que lhe doí na alma. Um pai está prestes a ficar a sós com seus filhos, e o que era pra ser um momento feliz se torna em um momento de horror. Os próprios filhos se lançam sobre o pai, lhe batem na cara, cospem, rasgam suas roupas, lhe agridem e o matam. Pergunte a este pai o que foi pior? Serão os espinhos? Serão os tapas e socos? As cuspidas? Não, nada disso, é o seu coração que sangra, porque quem fez essas coisas foram seus filhos que ele tanto amou e ao morrer ainda disse:
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o fazem. (Lucas 23.34)
2. A angustia de Cristo se dá pela rejeição da criatura ao seu Criador. É uma angustia de amor. Deus é amor (1 João 4.16) e tudo o que faz, é amar o mundo e o homem que criou (João 3.16), e não existe nenhum sofrimento maior para o amor do que a rejeição daquele a quem se ama.

Na bíblia encontramos Jesus chorando em três momentos, um é aqui no jardim do Getsêmani, o segundo é quando visita Lázaro, que estava morto, onde diz: 
"Jesus, pois, quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se. E disse: Onde o puseste? Disseram-lhe: Senhor, vem e vê. Jesus chorou. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava." (João 11.33-36)
E quando observou Jerusalém de um certo lugar e disse:
"E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se tu conhecesses também, ao menos teu dia, o que à tua paz pertence! Mas, agora, isto está encoberto aos teus olhos." (Lucas 19.41,42)
Em todas elas Jesus chora por compaixão e amor pelo homem. Em visita na casa de Lázaro o Senhor Jesus se compadeceu dos sofrimentos e lágrimas dos que ali estavam e chora com eles. Avistando Jerusalém, ele profere o triste futuro que reservava para aquela cidade e também chora sobre ela, e não seria também por amor que Cristo chora no Getsêmani? 

É seu coração que está ferido! Quantos pisariam o seu sangue? Quantos desprezariam o seu sacrifício de amor? O lamento de Cristo na cruz, não é por si próprio, nem por uma suposta separação ou abandono da parte de Deus, mas é um lamento daquele que fora abandonado por sua criação e morto por ela. 

É a criatura que abandona o seu Criador, não o Senhor! O pastor estava sozinho e sem as suas ovelhas, mas Deus estava com ele o tempo todo! É o homem que abandona o seu Deus, não Deus o homem!

Na crucificação de Cristo vemos Deus entregando o seu filho nas mãos dos homens para que eles, a carne, o mundo, o diabo príncipe deste mundo (João 14.30), seus demônios e o pecado e todos os inimigos de Cristo o ferissem mortalmente. É o criador sendo ofendido por quem ele criou; sendo cuspido, por aqueles que ele deu o fôlego de vida; sendo ofendido por quem ele proferiu palavras de amor; sendo açoitado por quem ele deu a mão; sendo desprezado por quem ele tanto amou.

3. O termo grego usado para a agonia de Cristo no Getsêmani é "ademoneo". Existem outros dois vocabulários gregos para angustia que são bareo (2 Coríntios 5.4) e lupeo (Mateus 26.22) e a usada no jardim do Getsêmani para Cristo é a mais forte das três. E ela se repete apenas 2 vezes na bíblia, que é em Marcos 14.33, que também fala da oração de Cristo e em Filipenses 2.26 que diz:
"Visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu." 
Paulo fala do irmão Epafrodito (v.25) que não pela saudade, mas por saber que os irmãos de filipenses haviam ouvido falar da sua enfermidade, pois quase chegou a morrer (v.27), se angustiou em saber que os irmãos sofriam por sua causa. Percebam que a angustia do irmão Epafrodito é por seus irmãos que sofriam por ele o que também é um sofrimento de amor e compaixão. Ele esperava voltar, pois pela graça de Deus havia sido curado (v.27), e assim poder alegrar novamente a igreja em Filipo.

4. Jesus afirmou aos seus discípulos que eles também beberiam do mesmo cálice:
"Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai." (Mateus 20.23)
Sabemos que este cálice não se refere ao cálice da santa ceia, pois no verso 28 ele conclui dizendo que veio para servir e dar a sua vida pelo homem. Uma passagem de Marcos também diz que os discípulos seriam batizados no mesmo batismo de Jesus (Marcos 10.38,39), mas esse batismo não é o batismo de João, mas também as aflições que Cristo sofreria conforme ele relata em Lucas 12.50.

Mas qual foi o cálice que os discípulos beberam? Sabemos não ser o da ira de Deus, nem uma separação do seu Espírito Santo e sim ódio, perseguição, morte e abandono por parte de seus familiares e amigos.
"Antes, porém, de todas essas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome...E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós. De todos sereis odiados por causa do meu nome." (Lucas 21.12,16,17)
5. Jesus em sua oração quis revelar que não existia outro caminho além da sua morte na cruz e sofrimento. Que para aqueles que alegam ser desnecessária a morte de Cristo venham entender que não havia outro caminho. Somente o sangue de Cristo purifica o pecador e somente a sua morte nos traz vida (Hebreus 9.22). Que somente a expiação de Cristo abriria as portas dos céus para nós e substituiria a nossa morte eterna pela morte vicária de Cristo.

Qual a importância disso? Toda importância! Por anos e séculos milhares de homens, outras religiões e céticos tem confrontado a morte de Cristo dizendo ser ela desnecessária e uma total brutalidade da parte de Deus em matar o próprio Filho, mas quando vemos essa oração, onde Jesus ora pedindo a Deus que, se existe outro meio de salvar o homem, além da sua morte, que Deus usasse então esse outro "caminho" e que passasse aquele "cálice" de sofrimento e dor. Deus permitindo até o fim a morte de cruz de seu Filho nos mostra que o derramar de sangue era necessário, que o cordeiro pascoal devia ser sacrificado, que o filho de Deus deveria morrer em um madeiro.


Somente a sua morte poderia nos dar vida. Somente o seu sofrimento poderia nos dar paz e alegria. Somente o sangue de Jesus pode limpar o nosso pecado. E sabendo disso, Jesus jamais desistiria da humanidade e por isso ele foi até o fim.

6. Isso explica porque a natura se emudeceu e se agitou ao presenciar tamanha cena de horror. Houve densa escuridão, tremores e até se abalaram as rochas (Mateus 27.45,51). Quem suportaria tal cena? Os servos se voltam contra seu legitimo Senhor! Os filhos se lançam contra o seu Pai Eterno! A criatura mata o seu Criador! 

Bem disse o salmista, os cães lhe cercaram (Salmos 22.16), o seu coração se derreteu de tristeza (v.14), todos o zombaram (v.7), secou-se a sua língua (v.15), foi o opróbrio dos homens e desprezado por seu povo (v.6), mas Deus não o desamparou e lá estava sofrendo com o Filho (v.24) e agora louvem ao Senhor todos os que o buscam (v.26), e diante dEle se prostrem todas as famílias da terra (v.27), pois Ele é Rei e governa as nações (v.28), todos o adorarão e se prostrarão diante dEle (v.29), e anunciem a Justiça do Senhor e digam o que Ele fez (v.31).


 Jardim do Getsêmani

O Jardim do Getsêmani é o lugar onde Jesus orou na noite em que foi traído e preso (Marcos 14:32-50). De acordo com o registrado em Lucas, o desespero de Jesus no Getsêmani foi tão profundo que Ele suou gotas de sangue (Lucas 44-22:43).

"Jesus foi com os discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes disse:
— Sentem-se aqui, enquanto eu vou ali orar." Então Jesus foi levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. Aí ele começou a sentir uma grande tristeza e aflição." (Mateus 37-26:36)

Sentado ao pé do Monte das Oliveiras, dentro do recinto da Igreja de Todas as Nações, o jardim tranquilo tem oliveiras antigas magníficas que são datadas de aproximadamente 2.000 anos atrás, ainda produzindo azeitonas até hoje.

Há um debate sobre a idade exata das oliveiras e se este foi o local adequadamente denominado onde Jesus orou. Sem dúvida, as árvores surpreendentes são ramificações das mesmas ao lado das quais Jesus orou.

Do outro lado da viela há um bosque menos frequentado, onde é possível programar um horário para passar um tempo mais privativo de adoração e contemplação.
Nome

Espinho na Carne,1, Graça,1, Livro,1, Oração,1, Paulo,1, Sofrimento,1, Vida Cristã,1,Adoração,1,Alma,1,Amor,1,Arqueologia,1,Arrependimento,7,Ateísmo,7,Avivamento,17,Batismo no Espírito Santo,1,Bertha Smith,1,Bíblia,1,Buscar a Deus,2,Charles Culpepper,4,Charles Finney,2,China,5,Comentários,1,Conversão,3,Criação,2,Criacionismo,1,Cristologia,2,Crucificação,1,Deus,1,Deuses,1,Diário de Oração,2,Escolas Cristãs,3,Espírito Santo,5,Estudo Bíblico,1,Evan Roberts,3,Evangelho,1,Fé,3,Florrie Evans,1,Frieza Espiritual,3,Genêsis,1,História da Igreja,5,Incredulidade,1,Inferno,1,Intimidade com Deus,1,Jonathan Goforth,1,Joseph Jenkins,1,Justiça de Deus,1,Legado,1,Louvor,1,Marie Monsen,1,Missões,2,O Enigma do Espinho,1,Obediência,2,Oração,12,Oração em Grupo,1,Oséias,1,País de Gales,5,Pecado,3,Perdão,1,Perseverança,4,Poder de Deus,1,Pregação,3,Promessas de Deus,1,Romanos,1,Rua Azusa,1,Salvação,1,Santificação,1,Séries,10,Sermão,1,Shantung,5,Silêncio,1,Sofrimento,4,Suicídio,1,Testemunho,5,Testemunho Pessoal,2,Transformação Social,1,Unidade da Igreja,2,Vida Cristã,4,
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José Roberto: A oração de Jesus no Getsêmani
A oração de Jesus no Getsêmani
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José Roberto
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