É vital que a igreja de Deus saiba discernir o que impede a manifestação gloriosa do Espírito Santo, para que não sejamos nós mesmos os obstáculos, "puxando a iniquidade com cordas de falsidade, e o pecado como com tirantes de carros!". (Isaías 5:18)
Pensemos, primeiramente, na motivação. Um avivamento genuíno tem como fim a glória de Deus e a salvação dos pecadores. Mas, tristemente, muitas vezes o desejo por um avivamento pode ser impulsionado por motivos bem diversos, até mesmo egoístas. Alguém pode desejá-lo para ver a congregação mais forte financeiramente ou numericamente, para que se torne mais respeitável na comunidade. Outros, porque se sentem desafiados ou prejudicados, e querem que Deus os abençoe como uma aprovação pessoal. Há até quem o deseje por mero afeto natural por amigos ou familiares que ainda não se converteram. Pior ainda, alguns podem orar fervorosamente por um avivamento simplesmente porque a congregação está à beira da divisão, ou porque outra denominação está ganhando terreno, buscando assim que o Todo-Poderoso os ajude a sair da própria dificuldade. Esses motivos, meu amigo, são puramente egoístas e, portanto, ofendem a Deus. A oração que brota de um coração que busca sua própria conveniência ou reputação, em vez da glória de Deus e do genuíno arrependimento dos pecadores, não pode ser ouvida. (Tiago 4:3)
Um segundo e profundo erro é a incredulidade. A Bíblia nos ensina que sem fé é impossível agradar a Deus. (Hebreus 11:6) A incredulidade é o grande e fundamental pecado que constitui o fundamento de todos os outros. Muitos cristãos e até ministros têm visões radicalmente defeituosas da salvação pela fé. Alguns não creem que a graça de Deus seja suficiente para garantir a santificação plena nesta vida, ou que as providências do Evangelho sejam insuficientes para a perfeição. Insistem que o fato de os cristãos não serem perfeitos prova que não há provisão para sua perfeição. Essa negação da doutrina da santificação plena tem a tendência natural de gerar apatia na igreja. Os religiosos prosseguem no pecado sem muita convicção, porque esperam sua existência como algo natural. Eles dizem: "Somos criaturas imperfeitas; não temos a pretensão de sermos perfeitos, nem esperamos que jamais o sejamos neste mundo". Isso, meu amigo, prepara a mente dos ministros para contemporizar e tolerar a grande iniquidade em suas igrejas. Se creem que é natural esperar que os crentes pequem, é claro que toda a sua pregação, seu espírito e comportamento serão direcionados a gerar um grande grau de apatia entre os cristãos com relação aos seus pecados abomináveis. Ensinar que é erro perigoso esperar ser plenamente santificado nesta vida é um obstáculo ruinoso. O que é preciso é fazer com que a igreja veja e creia que este é seu alto privilégio e dever. Muitos ignoram ou rejeitam as promessas de Deus sobre santificação. (1 Tessalonicenses 4:3)
Relacionado à incredulidade e à falta de fé está o erro de ter uma fé apenas intelectual que não envolve a vontade e o coração, que não se manifesta na vida prática. O verdadeiro avivamento produz um quebrantamento, um arrependimento genuíno que é uma mudança de escolha e propósito. A fé evangélica implica um estado de não pecaminosidade vigente, e a existência dessa fé no coração é incompatível com a rebelião vigente contra Cristo. Uma falsa experiência religiosa ou um avivamento superficial não resultará em uma mudança real de vida e permitirá o pecado consciente e presente, aquietando a consciência. (Tiago 2:17)
A falta de união e as dissensões são grandes impedimentos. Quando há divisões e grupos na igreja, o Espírito de Deus é entristecido. (Efésios 4:3) Membros "podres" (aqueles que vivem em pecado escandaloso) que não são removidos tornam-se uma pedra para a religião e impedem o avivamento. A resistência em lidar com esses casos, muitas vezes por terem influência ou amigos na igreja, cria um espírito desfavorável. O espírito sectário, como o que pode surgir entre diferentes denominações que competem em vez de cooperar para a glória de Deus, afasta o espírito de oração e faz cessar o avivamento. A falta de confiança no líder da reunião de oração ou no ministro, seja qual for a causa, pode impedir toda a bênção e fazer a reunião "morrer".
A negligência da oração, especialmente da oração no espírito correto, é fatal. O descuido da oração privada, familiar e das reuniões de oração é um sinal claro de declínio espiritual. Mas não é apenas a quantidade de oração, mas a qualidade. Orar de forma fria e sem emoção, como uma mera recitação, não comove a Deus. Orar pelos motivos errados, buscando a própria felicidade ou para se livrar de dificuldades, não traz resposta. Os cristãos precisam orar por um avivamento, sentindo essa necessidade para suas próprias famílias e vizinhança, pedindo como se não pudesse ser negado. É um "espírito de oração lutadora e vitoriosa", uma "agonia" pelas almas, que não leva as almas a querer cantar hinos alegres em meio aos pecadores que se perdem, mas a sentir o fardo por eles. A oração precisa ser feita com fé, crendo que Deus realmente dará o que pedem, cumprindo as condições divinas para a oração atendida. Desprezar a oração privada, chegar atrasado às reuniões, ou proferir orações sem preparação no Espírito, dissipa o espírito de oração. (1 Tessalonicenses 5:17)
A falta de confissão e perdão também impede o avivamento. Quando há um sincero quebrantamento e um derramamento do coração na confissão do pecado, as comportas estão prestes a estourar. Mas albergar um espírito de falta de perdão e vingança contra os que nos ofenderam é uma grande obstrução. Deus trava uma disputa com aqueles que negligenciam obrigações conhecidas ou resistem ao Seu Espírito, e Ele nunca concederá o Espírito enquanto não houver arrependimento. (1 João 1:9)
Outro erro é a falta de abnegação e o egoísmo. Muitos cristãos professos não compreendem o dever da abnegação ou negação de si mesmo como uma das características principais do Evangelho. Recusam-se a sacrificar seus sentimentos, negócios, tempo e até bens materiais pela obra de Deus. Pedem que Deus salve o mundo, enquanto gastam dinheiro em coisas frívolas ou prejudiciais, dando ao Senhor apenas o que lhes sobra. Isso é hipocrisia e concupiscência que torna a igreja odiosa diante de Deus. (Mateus 16:24)
A falta de instrução adequada, especialmente para os recém-convertidos, é um dano significativo. Não se deve deixá-los seguir ou imitar os antigos convertidos, mas devem olhar sempre para Cristo como seu modelo. Quando não são devidamente direcionados, eles se contentam com um padrão baixo de santidade, o que impede o crescimento espiritual da igreja como um todo. Ministros que pregam a necessidade de arrependimento e fé, mas depois declaram que é impossível exercê-las sem a ação soberana de Deus, ou que definem fé como um estado intelectual e arrependimento como um sentimento involuntário, tornam a pregação ineficaz e impedem o avivamento. (2 Timóteo 2:15)
Embora um avivamento possa trazer manifestações invulgares e, por vezes, incompreendidas por quem não as vivenciou, há erros relacionados à desordem e à falta de ordem que podem atrapalhar. Deus não é Deus de confusão. (1 Coríntios 14:33) A desordem pode ocorrer quando há canto excessivo que sufoca o espírito de oração, quando as reuniões são muito longas e perdem o foco, ou quando os recém-convertidos são levados a um entusiasmo inoportuno em cantos alegres antes de sentirem o fardo pelas almas. Contudo, é importante discernir entre o que é desordem e o que é a manifestação poderosa do Espírito que pode ir além dos métodos estereotipados aos quais muitos estão acostumados. No entanto, a falta de preparação e espiritualidade do líder de uma reunião pode torná-la fria e ineficaz.
Por fim, o descuido da obra missionária e a não santificação do Dia de Repouso também podem estorvar. Se os cristãos limitam sua atenção à própria igreja e não apoiam as missões, o Espírito de Deus pode se afastar. (Mateus 28:19-20). O pouco respeito pelo Dia de Repouso no país e na igreja também é um impedimento.
Em suma, meu amigo, os principais erros que impedem um avivamento brotam, em grande medida, de um foco no ego em vez de Deus, de uma falta de fé genuína e prática que transforma a vida, da tolerância com o pecado presente e consciente, da falta de união e amor na igreja, da negligência da oração feita com fé e nos motivos corretos, e da recusa em cumprir as condições divinas, como confissão, perdão e abnegação. A igreja precisa estar disposta a abandonar toda a iniquidade e a buscar a santidade como algo alcançável e necessário nesta vida, confiando inteiramente na graça de Deus para isso.
Que o Senhor nos ajude a ver onde estamos falhando, a nos arrepender sinceramente e a buscar a Sua face com fé e nos motivos corretos, para que Ele possa derramar o Seu Espírito e avivar a Sua obra entre nós, para a Sua própria glória!
Mensagem de Charles Finney
